Braçada Perfeita conversa com Catarina Ganzeli

1 mês ago 1

Coluna “Braçada perfeita” apresenta conversa entre uma atleta amadora e grandes nomes da natação. A primeira coluna é com Catarina Ganzeli.

Quando se inicia no mundo da natação, tardiamente, depois de adulta, são muitas as dificuldades, percalços e desafios. É um esporte completamente estranho àqueles que nunca o praticaram. Na piscina, você deve aprender a ‘respirar na água’, os movimentos são extremamente técnicos para levar o seu corpo para frente. O nível de exigência para um perfeito sincronismo de movimentos entre braçadas, pernadas e respiração é tamanho que, para uma iniciante, de fato, assusta.


Assusta, mas ao mesmo tempo encanta, apaixona, hipnotiza pelo seu fascínio. O som da água, da sua respiração, cada gota que escorre pelo seu corpo o impulsionando para frente cada vez mais rápido, os gestos dentro da piscina…de fato, a natação é um esporte único. Trazemos hoje a coluna “Braçada Perfeita” na qual vamos dialogar com grandes atletas das piscinas e dos mares.

Meu nome é Giovana de Paula, 42 anos, jornalista e nadadora amadora. Descobri a natação há cerca de dois anos e meio e o encanto foi imediato. Ao ponto de, no início de 2016 me inscrever para a primeira maratona aquática, a Volta do Parcel,realizada na praia de Juquehy, na cidade de São Sebastião (SP). No trecho de 1,5 km comecei a perceber o que significava nadar no mar e o quão prazeroso e possível para atletas amadores era tal feito. Hoje, início de 2018, já foram onze maratonas realizadas pelos mares paulistas.
É com muita satisfação e orgulho que traremos a cada edição um bate-papo com as ‘personalidades das águas’ com o objetivo de mostrar como a natação, em especial as maratonas aquáticas, é um esporte amplamente democrático e, acima de tudo, totalmente possível de ser realizado.

Nesta primeira coluna, vamos trazer uma conversa com a nadadora Catarina Ganzeli. No final de 2016 disputei a minha segunda maratona aquática, a Fuga das Ilhas, na Barra do Sahy, São Sebastião (SP). Ainda não estava tão integrada ao meio, apesar de me esforçar e acreditar que seria possível. Ali, conheci a atleta Catarina Ganzeli, com a incrível marca de 20 minutos no percurso de 2 km, sagrando-se campeã no geral, masculino e feminino. Detalhe: no dia anterior ela havia vencido o desafio Rei e Rainha do Mar, prova de 10 km, disputada no Rio de Janeiro. Este dado me chamou tanto a atenção pois eu havia conseguido concluir a prova em 1 hora e cinco minutos.
Parecia espantoso para mim. De fato era, mas somente pelo fato de eu ainda não conhecer o seu histórico. Hoje, acompanhando seu trabalho mais de perto vejo como é possível e o que Catarina Ganzeli tem feito para a obtenção das suas marcas. Ao longo deste ano foram muitos resultados expressivos. Acompanhe na sequência.

Gostaria que você comentasse sobre o tripé que leva um maratonista a bons resultados: físico-psicológico-garra. Qual o papel de cada um deles?
Físico é a máquina, com combustível, alimento saudável para funcionar e lapidar muito bem, com muito treinamento, e o psicológico é o que vai te levar a alcançar a forma física e o condicionamento que você precisa para atingir suas metas. E a garra eu a coloco dentro do fator psicológico também. Está tudo interligado. Se um está ruim, influencia nos outros e você não atinge suas metas. Os três tem que estar em perfeita harmonia para obtenção dos melhores resultados esportivos.

Como você se sente ao ver o número crescente de praticantes das maratonas e a satisfação em seus rostos?
É realmente um esporte democrático. Eu fico muito feliz em ver sua disseminação. Eu olho a chegada dos amadores e gosto de perguntar como eles sentiram a prova, porque como eu gosto de dar um feedback aos organizadores. A prova é feita para os últimos colocados, não para os primeiros.

Como o profissional de educação física deve reconhecer entre os seus alunos a melhor forma de atuar para extrair sua melhor natação e a construção de um ser humano diferente, tornando a natação uma ferramenta além de ‘somente’ um esporte, tornando-a um fator agregador de aspectos físicos e psicológicos?
Depende muito do quanto a pessoa está disposta a absorver o esporte. O profissional que está orientando pode ser, sim, um diferencial, mas o encanto que a pessoal tem com a modalidade é maior. Cada pessoa se identifica com uma e, automaticamente, assim você dará mais valor, mais atenção, irá usufruir mais dos benefícios que ela te entrega. O profissional pode valorizar a mente e ser além de um técnico que transmite as técnicas de nado e treina o corpo, incentivando e levando o corpo ao limite.

Eu costumo dizer que treinar quando se está bem é fácil. O difícil é treinar quando não se está bem e mesmo assim você vai. Como é para você essa questão?
Isso é a mais pura verdade! Aí é que você vê o verdadeiro campeão. E eu sei disso e nos momentos mais difíceis é que temos que insistir, aceitando que faremos um treino ‘mal feito’, com um tempo pior que eu esperava, com uma qualidade de treino pior, mas você tem se forçar, se obrigar, ir um pouquinho além, porque é nesse dia que você está ganhando, não é no dia que se está tranquila, se está bem e que está fácil de fazer.
Catarina, qual é a sua ‘braçada perfeita’?
É poder viver um momento e um ‘agora’ na minha vida no qual eu me amasse e me aceitasse por completo e estivesse pronta para amar e servir o próximo. E quando eu estiver dentro desse momento, que espero seja infinito, estarei completamente realizada.

A natação como fator agregador de físico, alma e conquistas: por Catarina Ganzeli.
Eu fui uma pessoa que conseguiu tudo pela paixão e pela dedicação. Eu não sou aquela pessoa que pulou na água e ganhou do coleguinha na infância com 100 metros de vantagem. Não! Eu comecei perdendo…mas eu gostava de treinar, foi o que fez com que eu melhorasse. Nada veio fácil e é fruto de muito esforço. Eu não tive talento, mas eu tive muito mais dedicação, e sempre fui muito apaixonada pela natação. O amor que temos pelo esporte é muito importante, assim como em todas as áreas da nossa vida. Eu realmente não cheguei em um nível olímpico, mas eu cheguei muito mais longe do que eu esperava.
Perfil

– Nome completo: Catarina Cucatti Ganzeli
– Idade: 24 anos
– Data e local de Nascimento: 17/04/1993, Campinas-SP
– Melhores marcas na carreira: Dentro da piscina, final de 2012, três medalhas no Campeonato Brasileiro – 400 medley, terceira colocada, 200 metros borboleta, a segunda e 200 metros costas e terceira – e depois, Torneio Open Correios, 2014, finalista entre as oito melhores dos 400 metros medley. Dentro da maratona aquática, vice-campeonato brasileiro no circuito brasileiro da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) em 2009, resultado que lhe concedeu a vaga para o seu primeiro sulamericano, quando foi 7ª colocada no Uruguai, com 10 km em águas de 16 graus, sem roupas especiais, Travessia Santa Fé-Coronda, 57 km feitos em 9 horas e 47 minutos em 2017, em fevereiro, em Santa Fé, na Argentina, na Travessia Capri-Nápoli, feita em formato de circuitos, 20km, 14 Bis deste ano, quando foi terceira no geral (masculino e feminino), em 2016, a Fuga das Ilhas, 2016, quando fui campeã no geral, com 20 minutos, e as duas últimas edição do Rei e Rainha do Mar, com a primeira colocação.

– Principal objetivo a ser alcançado: Travessia do Canal da Mancha

– O diferencial entre o esporte amador do profissional: Tudo é questão de oportunidade, força e garra. Hoje os amadores sustentam o grande crescimento das maratonas aquáticas, um esporte apaixonante e que tem cada vez mais praticantes no país.

– Uma lembrança marcante: Coleciono muitas ao longo da carreira, mas tenho uma a cada etapa…a sensação de concluir mais uma prova. E ter pessoa que eu amo, como a minha mãe, que me acompanhou em tantas provas, que me hidratou em tantas provas, e eu lembro muito forte a imagem da minha mãe, e meus companheiros, adversárias se abraçando ao final da prova, porque a gente torce uma pela outra, dentro do mesmo objetivo e desafios.

– Porque nadar é possível para todos: Nós somos “água”. Nosso corpo é até 80% composto de água, nosso planeta é “água”, a vida veio do mar, essa é a nossa origem. É como se estivéssemos voltando para a origem da nossa existência da vida neste mundo e como se estivéssemos no conectando com o que nós somos que é “água”, e com o nosso planeta, que também a maior parte é composta por água. Esta é a essência de nossa existência, por dentro e por fora.

Por Giovana de Paula coluna Braçada Perfeita

Personagem: Catarina Ganzeli

Natação como um fator agregador de aspectos físicos e psicológicos
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