Canoa havaiana esporte que surgiu no triângulo polinésio cresce no Brasil

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Canoa Havaiana ou Canoa Polinésia, são nomes nacionalizados para denominar o esporte, que surgiu na região do triângulo polinésio e originalmente conhecido como Va’a, Wa’a ou Waka.
Va’a no Tahiti;
Wa’a no Hawaii;
Vaka na Nova Zelandia.
A cultura da canoa existe há mais de 3 mil anos e as canoas foram inicialmente usadas pelos povos polinésios com a necessidade de colonizar novas terras na região Polinésia, que é um conjunto de ilhas no Oceano Pacífico, entre a Austrália e Estados Unidos, incluindo Hawaii e Tahiti, este que faz parte da Polinésia Francesa.
Os povos polinésios usavam as canoas como meio de transporte entre as ilhas e cada povoado construía suas canoas com características locais, por exemplo, no Hawaii que possui mar agitado, as canoas possuem curvatura de fundo envergada, enquanto no Tahiti, as canoas possuem formato mais alongado e cockpit fechado, veja a seguir a diferença:

Foto 1 Canoa Havaiana em 3D, por Rafael Peralta
Ambas canoas possuem cerca de 14 metros e 50 cm de largura, com 3 partes em comum: o casco, chamado Hull, o flutuador lateral, chamado Ama e os braços que ligam a canoa ao flutuador, chamado Iakos.

Foto 2 Canoa Polinésia em ação, cockpit fechado individualmente.
As V6 são canoas com formato diferente das OC6, assim como a OC6 é diferente das OC6 Unlimited (que são maiores e com mais volume). Muitos no Brasil chamam apenas de V6 por que, a FIV – Federação Internacional de Va’a adotou o termo Va’a como oficial.
O regulamento da FIV não diferenciava design de canoa, só determinava “canoa de 6 remadores” ou “canoa de 1 remador”, por isso a CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem) permitiu V6 contra OC6 em competições, pois supostamente possuíam as medidas e pesos iguais, independente do design.
Mas no final de 2016, a FIV lançou novo regulamento para o Mundial 2017, que determina que além de peso e tamanho iguais, o design das canoas também devem ser iguais, por isso na última etapa do Campeonato Brasileiro de 2016, na Rio Va’a, foi proibido o uso das V6 e também sacramentou como sendo o último campeonato de Va’a realizado pela Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa).
A modalidade Va’a emancipou-se no Brasil da entidade máxima da Canoagem Brasileira, criando sua própria entidade chamada de Confederação Brasileira de Va’a (CBVAA). A partir de 2017 os atletas de Va’a se confederaram à nova entidade, dando sequência no plano de crescimento do esporte no Brasil.
Nas canoas de 6 lugares, cada um possui uma função específica:
Remador 1: na parte dianteira da canoa, dita o ritmo e freqüência das remadas.
Remador 2: segue o remador 1, porém do lado oposto dando ritmo e freqüência ao remador 4 e 6.
Remador 3: faz a contagem para troca de lado na remada, e geralmente são 20 remadas de cada lado, onde o Hip Ho, anuncia a mudança.
Remador 4: vigia o Iako, para não haver oscilação de equilíbrio.
Remador 5: tem função de esgotar a água dentro da canoa, quando necessário.
Remador 6: é o capitão da canoa, a mais importante e respeitada função por ser o último e dirigir a canoa fazendo o leme de direção.

Foto 3 Arte de Ricardo Alonso, o Jottas, publicada no Jornal A Tribuna.
No Brasil, houve adaptação do Hip Ho, que é o grito dado por todos remadores, anunciando a mudança de lado, ou seja, enquanto os remadores 1, 3 e 5 estão remando no lado esquerdo e os remadores 2, 4 e 6 do lado direito, tendo média de 15 remadas de cada lado, ao contabilizar 14, o remador 3 grita HIP, e na remada seguinte, a de número 15, todos gritam HO! e invertem os lados de remada, passando os remadores 1, 3 e 5 remarem do lado direito e os remadores 2, 4 e 6 do lado esquerdo.

Foto 4
No Hawaii, ao invés de Hip Ho, o comando é somente o Hut, na penúltima remada e no Tahiti, o comando é somente He, também na penúltima remada. As melhores equipes do mundo, contabilizam um total de 7 remadas por lado, tornando o sincronismo muito mais preciso.
Uma troca de Hip Ho bem feita, mantém o sincronismo da canoa, não perdendo o ritmo de navegação já praticado, onde destaca-se o espírito de equipe, a integração em que todos os remadores estão, em comunhão com a canoa, não somente tendo um deles como destaque, mas sim todos como um só.
Canoas Polinésias em ação no mar, em Olamau 2013

As canoas, além da função do transporte, também participam de competições esportivas há séculos, onde há um ditado que é: “Canoe racing has been around as long as there have been 2 canoes.” tradução: “competições de canoa existiriam sempre, bastanto que houvesse ao menos duas canoas.”
No Brasil, a chegada da canoa havaiana foi no final do ano 2000, em Santos, com a primeira canoa importada dos Estados Unidos e batizada de Lanakila, assim, a cidade se tornou grande polo de bases de canoas. Bases são clubes que promovem e incentivam a prática, com remadores em diversos perfis diferentes, que é um modo de preservar o caráter da própria cultura e tradição polinésia. Um bom remador não precisa ser somente forte e técnico. Para ser um bom remador, ele precisa respeitar a canoa, respeitar o mar e respeitar os outros remadores da canoa.
Além da canoa de 6 lugares, existem outros modelos de canoas, que são:
OC1 – Individual e com leme,
OC1 Surf – individual, com leme e adaptada para prática de canoa surf,
V1 – individual, com cockpit e sem leme,
V3 – para 3 remadores, sem leme.
OC2 – dupla e com leme,
OC4 – para 4 remadores, sem leme.
Quanto junta-se duas canoas com os Iakos, sem o Ama, denomina-se como catamarã, e geralmente é utilizado para aulas nas bases podendo levar até 12 pessoas remando.

Foto 5 V6 Tahitiana x OC6 Unlimited

 

Fonte http://www.sestaro.com.br
Referências:
Wikipédia – Canoa Havaiana
http://pt.wikipedia.org/wiki/Canoa_Havaiana
360 graus – Terra
http://360graus.terra.com.br/canoagem/default.asp?did=11869&action=hist%C3%B3ria

Filme Polynesian Canoes in action at sea in Olamau 2013

Filme Red Bull Wa’a Takes Outrigger Canoe Paddling by Storm