Entrevista com Tamila Holub a pérola da natação portuguesa

3 meses ago 0

Tamila Holub, de olhos postos nos Jogos Olímpicos 2020, está a fazer mais uma época de verdadeiro sucesso. A nadadora portuguesa de apenas 19 anos conquistou, no passado fim-de-semana, duas medalhas de ouro e uma de prata nos Campeonatos Nacionais Absolutos.
A Guerreira do Minho é, sem dúvida, a referência feminina da natação portuguesa e todos têm grandes expetativas em relação à sua futura prestação na maior competição internacional de modalidades desportivas.
Numa entrevista emotiva à scbraga.pt, Tamila Holub falou um pouco da sua história na natação e das suas maiores conquistas.


Uma época recheada de conquistas… Qual é o segredo para tantas temporadas de sucesso?
É mesmo treinar, acho que não há outro segredo. Se treinares bem, se treinares com esforço e dedicação diariamente acho que consegues fazer os recordes que forem necessários.

 

Agora o nome Tamila é sempre ouvido antes das provas… Isso aumenta a tua responsabilidade?
Aumenta de certeza. Há uma diferença muito grande em ir para uma prova com 14 anos… se correr mal é porque sou novinha ainda não tenho aquela experiência. Agora a pressão é maior, as pessoas esperam que eu ganhe medalhas e não há desculpas.

 

Os teus pais colocaram-te na natação porque tinhas doenças respiratórias. Sentes que foi o destino que te trouxe para esta modalidade?
Tenho pensado um pouco sobre isso… Eu trabalho duro e vejo os meus colegas a trabalhar duro, mas eu acredito que tenho uma certa predisposição para esta modalidade. Não sei se seria uma grande atleta de atletismo, por isso, de certo modo, se calhar foi realmente uma sorte os meus pais terem escolhido mesmo a natação. Não sei se conseguia ter alcançado o que alcancei noutra modalidade.

Tens algum ritual antes de entrar em prova?
Não tenho um ritual… costumo apenas ouvir música com mais ritmo.

A natação é por vezes um desporto em que se sofre sozinho?
A natação é, sem dúvida, um desporto em que se sofre sozinho. Nos desportos de equipa podes sempre atribuir a culpa aos outros, no caso da natação quando algo corre mal é porque tu falhaste seja no treino, ou na preparação, ou na nutrição. Não tens ninguém para culpar, se tu falhaste a culpa é tua.

É fácil lidar com a derrota nas provas?
Quando era mais nova e uma prova me corria mal a minha primeira reação era chorar, saía sempre em lágrimas, mas com o tempo vais aprendendo que numa prova tu nunca perdes ou ganhas uma medalha ou ganhas uma experiência.
O que traz esta modalidade a nível educativo?
A natação cria uma certa autodisciplina que te torna mais responsável. Não diria que sou o exemplo de maior responsabilidade, mas tenho a certeza que torna as pessoas mais responsáveis.

Como é a tua relação com o treinador Luís Cameira?
Quando comecei não tinha técnica nenhuma, não tinha um plano de treino, era tudo um improviso e realmente ele (Luís Cameira) ensinou-me tudo desde o início e se calhar foi isso que criou essa ligação porque íamos juntos para as provas. Foi com ele que comecei a fazer treinos de três horas, ou seja há muitas coisas que começaram na natação do SC Braga que fomos nós que começamos. Isso de certeza que criou uma ligação mais forte.

 

Tens alguma referência na natação?
Mireia Belmonte é a minha referência na natação. Se eu me queixo dos meus treinos que fará os dela… Já a vi a treinar e para mim ela é um exemplo como atleta e como pessoa. Ela pode não me conhecer que eu vou lá falar com ela e ela fala comigo. Se eu estiver a andar na piscina e sorrir para ela, ela sorri-me de volta. Apesar de ser uma nadadora olímpica ela não deixou de ser humilde e isso é de valorizar.

Em 2016 venceste o prémio Guerreiro de Ouro. Como recordas esse momento?
Estava mentalmente preparada que ia lá (Gala Legião de Ouro 2016) desfilar com o meu vestido novo que via os galardões serem entregues e ia para casa. Por isso, quando fui chamada ao palco estava toda a tremer porque estava com os saltos muito altos e só me preocupei em não cair. Não estava nada à espera, por dentro estava toda a tremer. Sabe sempre bem quando o teu trabalho é respeitado, quando as pessoas realmente valorizam aquilo que fazes.

 

Foste a atleta mais nova a participar nos últimos Jogos Olímpicos. Foi importante essa experiência?
Foi estar lá para ganhar experiência e para aprender o máximo possível para que agora nos próximos Jogos Olímpicos me foque naquilo que tenho de fazer. Já não há passeios na aldeia olímpica é só ir lá focar-me na prova e dar o máximo.

Quais são as conquistas que destacas na tua carreira?
Posso dizer que ir aos Jogos Olímpicos é uma coisa que deixa marca, mas também o primeiro e segundo lugar no Campeonato da Europa de Juniores porque realmente é uma coisa que eu sempre quis, mas era um sonho tão grande que eu achava que era impossível. Felizmente, ao conseguir mostrei a mim mesma que nada é impossível e que trabalhando duro com as pessoas certas, com a mentalidade certa é possível chegar lá.

 

Fonte da notícia Sporting Clube de Braga
Site https://scbraga.pt/

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