PARIS – L’ARCHE, FUTURA PISCINA FLUTUANTE FINALMENTE À BEIRA DO SENA

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L’Arche, uma imponente barcaça que abrigará uma piscina flutuante, bem como equipamentos esportivos e de alimentação, está atracada há algumas semanas no porto de Javel, no 15º distrito de Paris. Em construção, deve receber os primeiros visitantes neste verão, se as condições sanitárias permitirem. A Cnews apresenta em detalhes este “novo distrito” que florescerá nas margens do Sena.

Este complexo flutuante de lazer, resultante do concurso “Reinventando o Sena” em 2017, decorre numa barcaça com 110 m de comprimento e 15 m de largura. No final das contas, a Arca será dividida em três espaços. No deck, a piscina olímpica terá suas três raias de natação por mais de 50 metros. No exterior, esta piscina será aquecida a 28 ° C e regulável para permitir diversas atividades (natação, hidroginástica, etc.). Também pode ser esvaziado para organizar eventos, quando o Covid for apenas uma memória passada.

No convés inferior do navio, serão distribuídas salas de esportes, áreas de reabilitação em 1.000 m2. “Com as muitas vigias e os tetos de 2,3 m de altura, você não terá a impressão de estar preso em um porão”, explica o líder do projeto, Sébastien Marques. As instalações “top-of-the-range” serão, portanto, capazes de acomodar todos os atletas, até o alto nível. As discussões também estão em andamento com clubes da região de Paris.

Também foi feito um esforço para promover a acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos. E para particulares que desejam acessar a área, será possível pagar pelo acesso à unidade além da assinatura clássica. Espelhando seu nome, a Arca deve envolver um público grande e diversificado. “A ideia não é ser um clube fechado, mas um espaço aberto para reuniões, com espaço para todos”, afirma Sébastien Marques.

Para isso, haverá um “polo festivo”, com um restaurante com cerca de cem lugares e uma taberna. O suficiente para acomodar cerca de 2.000 pessoas a bordo. Em relação aos preços serão “o mais acessíveis possível dentro dos limites da lucratividade”, diz o homem que é diretor de desenvolvimento da Why Not Productions. Empresa que também opera as duas tabernas Rosa Bonheur, uma em Buttes-Chaumont (19) e a outra em um barco estacionado abaixo do Quai d’Orsay (7).

Mas, como acontece com inúmeros projetos, o coronavírus está adicionando seu grão de areia. “Os trabalhadores continuam a trabalhar mais ou menos normalmente, de acordo com os protocolos de saúde. Mas a oferta é enormemente ampliada, muitas matérias-primas vêm da Alemanha ou da Itália”, lamenta Sébastien Marques. Resultado: a incerteza paira sobre a inauguração, ainda marcada para “este verão”.

Especialmente porque um perigo surpreendente já havia forçado os promotores a revisar seu plano. Este protótipo, construído sob medida nos estaleiros Dieppe (Seine-Maritime), teve que subir o Sena, ainda em estado flutuante. A embarcação teve de passar por uma das únicas eclusas que permitem a passagem de uma embarcação deste porte, em Méricourt (Yvelines), antes de atracar para as obras. Isso explica a aparência ainda despojada do barco.

Mais do que no estaleiro, a Arca está sendo montada em Paris, com peças feitas na oficina e transportadas pelo rio. São, portanto, “secções de 20 m da superestrutura e fachadas que são montadas diretamente” no barco, comenta o líder do projeto, Sébastien Marques. Um desafio técnico adicional.

Depois, em uma segunda etapa, o projeto se estenderá também no cais, ao pé do parque André Citroën. Em aproximadamente 1.000 m2, outras barracas de alimentação ocuparão metade do espaço, enquanto aparelhos esportivos ao ar livre, áreas de recreação infantil e quadras de squash completarão o local. Além disso, o Guinguette La Javelle, aberto desde 2019 no local, será integrado ao projeto. No entanto, provavelmente será necessário esperar até 2022 para aproveitar essas facilidades de verão.

“O parque André Citroën foi projetado para chegar às margens, então tivemos que terminar essa ampliação”, comenta Célia Blauel, deputada pelo Sena na prefeitura de Paris. De forma mais ampla, este projeto “faz parte do nosso desejo de reinvestir o rio e suas margens direita e esquerda”, comemora a ecologista eleita. Para ela, esse exemplo poderia mostrar “que, em última análise, há muita necessidade dos parisienses reivindicarem o Sena”.

Esta segunda piscina flutuante da capital, depois da de Joséphine Baker (13ª), poderá permanecer no local por duas décadas, prazo de concessão outorgada pela cidade. Esperando que até lá não precisemos mais desse tipo de instalação para nadar no Sena.