Ana Marcela Cunha cruza o Canal da Mancha e estabelece novo recorde sul-americano
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A campeã olímpica Ana Marcela Cunha escreveu mais um capítulo marcante em sua carreira ao completar a travessia do Canal da Mancha, entre Inglaterra e França. A brasileira percorreu 42,9 quilômetros em 8h25min29s, conquistando o novo recorde sul-americano da prova, entre homens e mulheres.
Além da melhor marca da América do Sul, o tempo é o mais rápido registrado no mundo desde 2022. Para Ana Marcela, no entanto, a conquista tem um significado ainda mais especial: realizar um sonho cultivado desde a infância.
Referência mundial nas águas abertas, com ouro olímpico em Tóquio e 16 medalhas em Campeonatos Mundiais, a nadadora incluiu a tradicional travessia do Canal da Mancha entre seus principais objetivos da temporada. Considerado um dos maiores desafios da modalidade, o percurso exige preparo físico e mental diante das fortes correntes, mudanças de maré, intenso tráfego de embarcações e condições climáticas imprevisíveis.
A largada aconteceu na praia de Dover, na Inglaterra, com chegada em Calais, na França. As condições climáticas favoreceram a travessia, com temperatura da água próxima dos 19°C. O resultado superou os antigos recordes sul-americanos de Ana Mesquita (1993) e Adherbal de Oliveira (2015).
Para enfrentar as baixas temperaturas, Ana Marcela utilizou pasta de lanolina como proteção térmica e contra o atrito, conforme determinam as regras para homologação da travessia. Durante todo o percurso, foi acompanhada por uma embarcação de apoio formada por sua equipe técnica, árbitro oficial, representante do Guinness World Records e equipe de registro audiovisual.
A preparação para o desafio incluiu treinos específicos de resistência, como uma simulação de 42 quilômetros em águas abertas durante a noite, além de sessões em água fria, chegando a temperaturas próximas de 17°C.
Mais do que um recorde, a travessia representa a realização de um objetivo pessoal e reforça o legado de Ana Marcela Cunha como uma das maiores atletas da história da natação em águas abertas.
Foto: Jonne Roriz/COB
